09/07/2025 21h05 Atualizado 09/07/2025
O Itamaraty comunicou à embaixada dos Estados Unidos que devolve a carta do presidente norte-americano, Donald Trump, endereçada ao presidente brasileiro, Lula. O documento, que estabelece uma taxa de 50% sobre todos os produtos brasileiros, foi considerado pelo governo Lula como “ofensivo”, “inaceitável” e repleto de “informações inverídicas” sobre a balança comercial entre os dois países.
Durante uma reunião liderada pela embaixadora Maria Luisa Escorel, responsável pela América do Norte e Europa, foi questionado se a carta era autêntica, uma vez que o governo brasileiro tomou conhecimento do conteúdo por meio da imprensa. Após a confirmação do encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos, Gabriel Escobar, a embaixadora declarou que o Brasil estava devolvendo o documento.
Fontes do Itamaraty relataram que a embaixadora considerou a carta “ofensiva” e “inaceitável”. O governo brasileiro contestou as alegações de Trump sobre o déficit na balança comercial, ressaltando que, na verdade, os Estados Unidos têm acumulado superávit em relação ao Brasil desde 2009.
A reunião ocorreu em um contexto de crescente tensão nas relações bilaterais, exacerbada por publicações de Trump em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro e críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF). Lula, por sua vez, já havia manifestado em redes sociais que a taxação seria respondida com base na lei da reciprocidade, afirmando que “o Brasil é um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém”.
Esta foi a segunda reunião entre representantes do Ministério das Relações Exteriores e da embaixada dos Estados Unidos no Brasil, realizada na noite de quarta-feira, 9 de julho de 2025, após um primeiro encontro que abordou as publicações feitas por Trump e pela embaixada em favor de Bolsonaro. Lula também se reuniu com seus ministros para discutir a resposta à taxação imposta por Trump.
