Trabalhadores da LCD Engenharia, terceirizada que prestava serviços de manutenção à Petrobras, em Cubatão (RPBC), realizaram uma passeata nesta quinta-feira (10) para cobrar o pagamento de salários e benefícios atrasados. Os profissionais dos setores de manutenção e construção estão em greve desde 9 de junho, alegando que os atrasos salariais são recorrentes. Durante o período de greve e reivindicação, 180 funcionários foram demitidos pela LCD, restando 200 com contrato vigente.
Em audiência de conciliação, a empresa se comprometeu a depositar os valores até sexta-feira (11). A Petrobras, por sua vez, informou que rescindiu o contrato com a LCD e que os trabalhadores serão reaproveitados por outras prestadoras de serviços que já atuam na RPBC.
Paulo Henrique, um dos trabalhadores demitidos, criticou a postura da empresa: “Tem trabalhador esperando pela rescisão desde o dia 4 de junho. Quase 200 pessoas foram demitidas durante a greve, o que é ilegal”, afirmou, citando o artigo 14 da Lei 7.783/89, que garante a legitimidade da greve em casos de descumprimento do acordo por parte do empregador.
Um encarregado de obras da LCD, que preferiu não se identificar, afirmou que julho foi o segundo mês consecutivo de atrasos salariais. Segundo ele, no mês anterior, parte da equipe recebeu os pagamentos com 25 dias de atraso. O salário referente a junho, que deveria ter sido depositado no dia 5 de julho, ainda não foi pago. Além disso, os trabalhadores denunciam que o depósito do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) está suspenso desde maio, o que pode configurar irregularidade trabalhista e gerar penalidades à empresa.
Os funcionários se reuniram para protestar no Parque Anilinas e seguiram em caminhada pela Avenida 9 de Abril, em direção à refinaria. Em seguida, a categoria participou de um encontro com a liderança sindical na sede do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Santos (Sintracomos). Durante a reunião, foi lida a ata da audiência realizada na terça-feira (8), na Justiça do Trabalho, e os profissionais receberam orientações sobre os próximos passos caso os pagamentos não sejam efetuados. O sindicato informou que, se a empresa não regularizar os valores devidos, o desembargador responsável poderá determinar o bloqueio das contas da LCD Engenharia.
O Sintracomos marcou uma nova assembleia para o próximo domingo (14), às 7h. Caso a LCD Engenharia regularize os pagamentos atrasados e disponibilize transporte para os funcionários, a greve poderá ser suspensa. Durante os protestos, os trabalhadores também solicitaram que a Petrobras assuma a responsabilidade pelos empregos, já que os serviços prestados por eles são diretamente ligados à estatal. A reivindicação ocorre em meio à pressão sindical para que a petroleira utilize cláusulas contratuais que permitam o pagamento direto aos funcionários.

