Os sete presos sob suspeita de envolvimento na execução de um casal de empresários em São Pedro (SP), em abril deste ano, tiveram diferentes participações no crime, segundo a Polícia Civil. A motivação, de acordo com as investigações, seria uma promessa de recompensa milionária.
As investigações apontam que eles se dividem entre mandantes, executores e fornecedores da arma utilizada.
Também conforme as apurações, o duplo homicídio foi cometido pelo interesse dos mandantes no patrimônio milionário das vítimas, que eram moradores de Araraquara (SP).
As prisões dos últimos suspeitos foram realizadas nesta quinta-feira (17) pela Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic) de Piracicaba (SP), responsável pelo caso.
A seguir, entenda qual foi a participação de cada investigado, segundo as investigações policiais até o momento. A delegada da Deic, Juliana Ricci destacou, nesta quinta-feira, que ainda vai concluir o detalhamento da conduta de cada um.
Hércules Praça Barroso e Fernanda Morales Teixeira eram advogados das vítimas há mais de 10 anos, segundo informações de familiares. Eles foram presos em junho de 2025. Segundo as investigações, os advogados foram os mandantes do crime, e tinham como objetivo ficar com o patrimônio das vítimas. De acordo com a polícia, os advogados falsificaram documentos para enganar as vítimas e conseguir se apropriar de cerca de R$ 12 milhões em imóveis e mais de R$ 2,8 milhões em pagamentos de custos processuais inexistentes. O advogado do casal, Reginaldo Silveira, afirma que as provas são frágeis e que a relação entre as partes era apenas de advogado-cliente.
Carlos Cesar Lopes de Oliveira, conhecido como Cesão, e Ednaldo José Vieira, conhecido como Índio, foram identificados como os executores do crime. Ambos foram presos em junho de 2025. Segundo as investigações, houve uma promessa de recompensa milionária pela morte das vítimas. A defesa deles informou que não teve acesso ao inquérito e preferiu não se manifestar.
Os três últimos suspeitos, identificados apenas pelas iniciais A.S.L., J.S.L. e C.J.A., foram presos nesta quinta-feira (17). Eles são investigados por fornecer a arma do crime, e durante o cumprimento de mandados de busca, uma pistola foi apreendida. Em depoimento, eles negaram saber que a arma seria utilizada para um duplo homicídio, mas admitiram que a forneceram mediante pagamento de aluguel.
A Deic apurou que um dos executores do crime receberia um apartamento avaliado entre R$ 400 mil e R$ 500 mil e um carro avaliado em R$ 60 mil, além de um valor em torno de R$ 1,2 milhão que seria dividido entre os executores e quem alugou a arma.
As vítimas, José Eduardo Ometto Pavan, de 69 anos, e Rosana Ferrari, de 61, estavam em São Pedro em viagem de lazer quando foram mortas. O crime foi motivado pelo interesse no patrimônio milionário das vítimas, que incluía 16 flats em São Carlos (SP) adquiridos em 2013, cuja venda nunca foi realizada. Os advogados, que tinham acesso aos bens das vítimas por meio de uma holding, acabaram se apropriando de imóveis avaliados em R$ 12 milhões e falsificaram documentos para obter valores por custos processuais inexistentes, totalizando R$ 2,8 milhões.
Os investigados vão responder por homicídio qualificado, associação criminosa, estelionato, falsidade ideológica, uso de documento falso e ocultação de cadáver. Os defensores dos advogados presos recorreram, alegando que a decisão que determinou a prisão não tem justificativa adequada e que seus clientes colaboraram com a investigação, tornando a prisão desnecessária.
