Gavião-pernilongo ferido é resgatado após ser acolhido por morador que não recebeu ajuda imediata.

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O gavião-pernilongo ferido que foi acolhido por um morador de Itapetininga (SP) após não receber atendimento imediato foi finalmente resgatado pela Polícia Ambiental na tarde de terça-feira (29). A ave, apelidada carinhosamente de Benedita pela família, havia sido encontrada cinco dias antes, na quinta-feira (24), caída próximo a uma caixa d’água em um shopping no Centro da cidade. Sem retorno dos órgãos responsáveis, o eletricista Márcio Rogério de Oliveira Siqueira, de 48 anos, levou o animal para sua casa, na Vila Progresso, onde ele recebeu cuidados veterinários e muito carinho.

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Conforme o morador, uma viatura da Polícia Ambiental foi até a casa dele e recolheu o animal usando luvas e uma gaiola. Márcio relatou que a equipe já havia entrado em contato informando que iria ao local buscar a ave. “Achei legal eles virem retirar, mas deu vontade de ficar com ela… Só que não pode, né? A gente já estava acostumado, tinha pegado amor”, contou.

Segundo Márcio, o gavião teve um comportamento tranquilo enquanto esteve na casa. Ele se alimentava de carne bovina e o ferimento em uma das asas estava cicatrizando. A família chegou a tentar soltá-lo na natureza, mas ele sempre voltava. Ainda conforme o eletricista, a Polícia Ambiental informou que o animal será levado para um centro de triagem e reabilitação em Registro (SP).

A Polícia Ambiental de Itapetininga informou, nesta quarta-feira (30), que o animal foi resgatado e encaminhado para um centro de triagem de animais silvestres. Também destacou que o manejo e o resgate de fauna exigem o envolvimento de várias instituições. Conforme a corporação, nos casos de crime ambiental ou posse irregular de fauna silvestre, a responsabilidade é do órgão. Já em situações envolvendo animais feridos fora de risco imediato ou fora de contexto criminoso, a competência é compartilhada com outros órgãos.

A Polícia Ambiental reforçou que denúncias e solicitações devem ser feitas pelo telefone 190, canal que direciona para uma equipe especializada, responsável por orientar os procedimentos adequados e encaminhar cada caso conforme a legislação vigente.

Márcio afirmou que procurou ajuda de órgãos públicos, mas não conseguiu o atendimento esperado. Segundo ele, o Corpo de Bombeiros informou que só realiza resgates de animais em situação de risco. “Como não consideraram risco, não vieram”, contou. A Polícia Militar Ambiental, ainda conforme o morador, disse que não tinha os equipamentos adequados para o resgate e orientou que ele procurasse a Guarda Municipal. “A guarda falou que só cuida da segurança pública e que também não tem equipamentos”, relatou.

Na manhã da sexta-feira (25), Márcio voltou a entrar em contato com os órgãos públicos, mas novamente não obteve resposta. “É frustrante. Quando a gente se depara com uma situação dessas, fica perplexo”, desabafou.

Márcio suspeita que a ave tenha sido atingida por um disparo de arma de chumbo, pois notou um furo em uma das asas. “Quando encontrei, ela estava fraca, mas ainda tentava me atacar. Levei um susto”, disse.

Segundo o biólogo de Cerqueira César (SP), Thiago Luiz Parra de Godoi, 39 anos, a espécie de gavião-pernilongo (Geranospiza caerulescens) é comum na América do Sul e possui uma curiosidade na questão alimentar. “Ele é conhecido por procurar comida em cavidades, em rachadura de pedra, em buraco de árvore. Ele é bem hábil para caçar”.

O animal mede entre 43 e 50 cm, ou 75 e 111 cm com as asas abertas, e pode pesar até 350g. É carnívoro e, dentre a base alimentar, estão animais de pequenos vertebrados, lagartos, sapos, pequenos roedores, ratos e afins. “Ele também pode atacar ninhos de outros passarinhos e se alimentar dos filhotes”, afirmou.

Outra curiosidade do gavião-pernilongo é que ele acompanha os incêndios florestais ou queimadas, segundo o biólogo. “Para se alimentar de animais que estão fugindo, então, ele é bem esperto”.

No entanto, uma das possibilidades é que o animal tenha se ferido ao colidir com a fiação elétrica, como explica o biólogo. “Apesar da visão deles ser excelente, o mais comum que eu vejo é colisão com fios. Ou o gavião estava em perseguição, ou em fuga, porque, às vezes, são atacados por outros pássaros que se defendem quando têm ninhos”, detalha.

Para realizar o resgate de forma adequada, o especialista recomenda o uso de luvas de proteção e uma caixa de transporte. “Por se tratar de uma ave de rapina, carnívora, ela tem um bico extremamente poderoso e garras que podem machucar, fazer um estrago”, alerta.

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