Uma equipe do helicóptero Águia do Comando de Aviação da Polícia Militar (CavPM) realizou o transporte de um pulmão em aproximadamente 30 minutos. As imagens, obtidas pelo g1, mostram o momento em que o órgão foi levado de São Vicente, no litoral de São Paulo, para um transplante na capital paulista.
Além do pulmão dentro de um cooler especial, a corporação informou que o veículo também transportou o médico responsável pelo procedimento, considerado urgente. O objetivo era possibilitar o início imediato da cirurgia.
O órgão foi captado no Hospital do Vicentino, em São Vicente, e precisava chegar com urgência ao Hospital São Luiz, em São Paulo, onde um paciente aguardava pelo transplante. O transporte foi realizado na tarde de sexta-feira (8).
“Tempo decisivo para preservar a viabilidade do órgão e salvar uma vida”, afirmou a PM, por meio de nota. “Essa ação reforça a importância da aviação em operações humanitárias, unindo tecnologia e preparo para salvar vidas […] O Águia 33 não apenas voou, ele levou esperança”, completou a corporação.
O helicóptero, do modelo H135-T3H, é uma aeronave de última geração. Segundo a PM, o veículo conta com avançados recursos tecnológicos, ótimos sistemas de navegação e alta capacidade de voo, o que permitiu o transporte do órgão durante condições meteorológicas desfavoráveis.
O estado de São Paulo realizou 1.720 transplantes de órgãos entre janeiro e agosto deste ano, segundo dados atualizados pelo Ministério da Saúde. O rim foi o órgão mais transplantado, com 1.166 cirurgias, seguido pelo fígado (391) e coração (94). De acordo com o órgão federal, o transplante de pulmão é indicado para pessoas com doença pulmonar grave, como fibrose cística, pulmonar e enfisema. Naquele mesmo período, já foram feitos 29 procedimentos com este órgão no estado e 64 no país.
No Brasil, foram 5.784 transplantes. O rim lidera com 3.860 procedimentos, seguido pelo fígado (1.528) e pelo coração (250). Na última semana, entre quarta (6) e quinta-feira (7), o apresentador Fausto Silva, de 75 anos, passou por um transplante de fígado e um retransplante renal. Desde o início do tratamento de saúde, em 2023, foram quatro transplantes no total. O coração do jogador de futebol de várzea Fábio Cordeiro da Silva foi o primeiro órgão que o apresentador recebeu. O homem morava em Mongaguá (SP) e morreu aos 35 anos, no dia 26 de agosto de 2023, vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Veja abaixo o passo a passo de como funciona o processo de recebimento de órgãos na fila do SUS, segundo informações do Ministério da Saúde e da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos:
A lista funciona por ordem cronológica de cadastro, ou seja, por ordem de chegada; Também é levado em consideração a gravidade do quadro – quem necessita de internação constante (com uso de medicamentos intravenosos e de máquinas de suporte para a circulação do sangue) tem prioridade em relação à pessoa que aguarda o órgão em casa; Tipo sanguíneo – um paciente só pode receber um órgão de um doador que tenha o mesmo tipo sanguíneo que ele; Porte físico – alguém alto e mais pesado não pode receber o coração de um doador muito mais baixo e magro que ele; Distância geográfica – o órgão precisa ser retirado do doador e transplantado no receptor em um intervalo de até quatro horas, isso é chamado de tempo de isquemia, o tempo de duração deste órgão fora do corpo, ou seja: não é possível fazer a ponte entre duas pessoas que estejam muito distantes uma da outra. O tempo de isquemia, inclusive, determina se um carro ou avião será usado para o transplante, com custos arcados pelo SUS; O Ministério da Saúde diz que são eventos determinantes de prioridade na fila de doação as seguintes situações dos pacientes: a impossibilidade total de acesso para diálise (filtração do sangue), no caso de doentes renais; a insuficiência hepática aguda grave, para doentes do fígado; necessidade de assistência circulatória, para pacientes cardiopatas; e rejeição de órgãos recentes transplantados.

