A articulação de auxiliares de Jair Bolsonaro (PL) para evitar a prisão do ex-presidente contava com a participação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como mensageiro. No entanto, Tarcísio relutou em aceitar a missão, que agora se mostra frustrada após a decisão do ministro Alexandre de Moraes de impor prisão domiciliar a Bolsonaro por descumprimento de medidas cautelares.
A proposta, que visava indicar aos ministros do STF que o bolsonarismo abriria mão de derrubar a inelegibilidade de Bolsonaro, em vigor até 2030, em troca de não haver movimentos do Supremo para impedir a votação de um projeto de anistia relacionado aos atos de 8 de janeiro de 2023, estava sendo articulada em meio a uma crise política que trouxe consequências inesperadas ao país, como a sobretaxa de 50% a produtos brasileiros nos Estados Unidos.
Tarcísio foi abordado na semana passada para participar das negociações, já que ele possui um bom diálogo com a corte. No entanto, o governador se esquivou, afirmando que precisaria de legitimidade de Bolsonaro e seus aliados para assumir tal papel, além de lembrar que já havia tentado uma interlocução recente com ministros, mas sem sucesso. Ele temia que uma nova aproximação pudesse resultar em efeitos adversos.
Apesar de não querer protagonismo nas negociações, Tarcísio reconheceu que uma costura de paz era necessária, citando os prejuízos que a crise com os Estados Unidos poderia trazer ao estado de São Paulo, com a expectativa de fechamento de mais de 40 mil postos de trabalho.
Enquanto isso, o governador tinha um evento marcado em Brasília, onde esperava que um clima favorável a um acordo pudesse ser criado. No entanto, não havia previsão de um encontro reservado entre ele e o ministro Gilmar Mendes durante o evento.
A situação se complicou ainda mais com a prisão domiciliar de Bolsonaro, que agora exige autorização prévia do Supremo para que Tarcísio possa se encontrar com ele. O governador se manifestou nas redes sociais, chamando a prisão de Bolsonaro de “absurdo” e criticando as acusações que o ex-presidente enfrenta.
O distanciamento de Tarcísio das manifestações bolsonaristas foi visto como um fator positivo por parte de dirigentes do PL, que esperam que ele mantenha uma postura moderada. No entanto, a articulação em torno de Bolsonaro estava sendo feita sem a participação do deputado federal Eduardo Bolsonaro, visto como uma figura polêmica dentro do grupo.
As pressões para a aprovação de um projeto de anistia estão crescendo, mas a resistência no STF é forte, especialmente em relação a crimes como a tentativa de golpe. A prisão de Bolsonaro, que resulta de um inquérito sobre obstrução de investigação, complica ainda mais o cenário das negociações, que agora enfrentam um ambiente de animosidade no Supremo. Tarcísio, visto como um interlocutor ideal, se vê em uma posição delicada, tentando equilibrar as demandas do bolsonarismo e as pressões do Judiciário.

