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Uma investigação da Polícia Civil revelou a criação de um aplicativo para controle do transporte alternativo e arrecadação de fundos pelo Comando Vermelho (CV), fruto de uma reunião estratégica com a facção ADA. O app, que funcionou por três meses, coagia mais de 300 mototaxistas a se cadastrar, gerando lucros mensais de R$ 1 milhão. A operação resultou na prisão de quatro pessoas e apreensão de bens. Segundo a investigação da 34ª DP (Bangu), a videoconferência contou com a participação de Edgar Alves de Andrade, o Doca, integrante da cúpula do CV e Celso Luís Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém, chefe da ADA. No entanto, a autorização para que o app começasse a ser utilizado por mototaxistas nas comunidades partiu de Jorge Alexandre Cândido Maria, o Sombra, líder do CV na Vila Kennedy. Durante o encontro, ainda de acordo com a polícia, ficou acertado que o CV utilizaria territórios controlados pela ADA — como Vila Vintém, em Padre Miguel, e Vila Sapê, em Curicica — para expandir suas operações, especialmente em Santa Cruz. Em troca, o grupo de Celsinho receberia reforço armado e parte dos lucros gerados pelas atividades ilícitas, incluindo a exploração do transporte por meio do aplicativo. Foi nesta negociação, realizada no início do ano, que foi autorizada a criação do app, que funcionou por cerca de três meses e estava ativo em comunidades ligadas ao CV e ADA, com a intenção de ampliar para outras regiões da Zona Oeste e para a Rocinha. Cerca de 300 mototaxistas chegaram a se cadastrar no sistema, todos coagidos a usá-lo exclusivamente. Segundo a investigação da Operação Somba, deflagrada nesta sexta-feira, os motoristas eram obrigados a baixar o aplicativo Rotax Mobili no aparelho celular, disponível nas lojas Google Play e Apple Store. Pelo menos 300 mototaxistas foram coagidos a instalar o app desenvolvido pela facção que funcionou por 3 meses. Estima-se que o uso da ferramenta do CV poderia gerar um lucro de R$ 1 milhão para a facção. O delegado Alexandre Netto, titular da 34ª DP, explicou que o aplicativo era uma fonte significativa de arrecadação para a facção: Esse aplicativo funcionava com um sistema financeiro via Pix e era vinculado a empresas de fachada. Os mototaxistas eram obrigados a pagar uma taxa mensal e repassar de 20% a 30% do valor de cada corrida para a chamada caixinha do tráfico. A operação Rota das Sombras cumpriu sete mandados de prisão e 12 de busca e apreensão, resultando na prisão de quatro pessoas, entre empresários e desenvolvedores do sistema. Foram apreendidos cerca de R$ 300 mil em dinheiro, joias e carros de luxo. Celsinho, que deixou a prisão em 2022 após cumprir 25 anos, voltou a ser preso e se tornou réu por tráfico de drogas e associação para o tráfico, com prisão preventiva decretada pela Justiça. Além dele, Doca também tem prisão decretada e está foragido. Para o delegado Netto, a aliança entre CV e ADA vai além do tráfico, abrangendo todas as frentes criminosas da região, incluindo o controle do transporte: O nome da operação Rota das Sombras reflete que não se trata apenas de uma questão financeira, mas de um controle da mobilidade urbana, definindo quem pode entrar e sair e para onde — afirmou. Ele ainda destacou a responsabilidade dos empresários envolvidos: No momento em que um empresário aceita participar de uma organização criminosa para atividades ilícitas, ele se torna parte do tráfico, independentemente de sua qualificação técnica. O aplicativo já foi retirado das lojas Google Play e Apple Store, encerrando seu funcionamento oficialmente.

