A cidade de Campos dos Goytacazes, localizada no Norte Fluminense, tornou-se um campo de batalha na disputa política entre os caciques do estado. O embate atual remete a rivalidades que remontam aos anos 1990, quando Anthony Garotinho e Marcos Bacellar dominavam o cenário político local. Hoje, seus filhos, Wladimir Garotinho e Rodrigo Bacellar, são os protagonistas dessa nova fase da disputa.
Wladimir, atual prefeito de Campos, acusou Bacellar de influenciar cortes nos repasses estaduais à saúde do município, alegando que os valores despencaram de R$ 200 milhões em 2021 para zero. Recentemente, a situação se agravou quando o governo do estado suspendeu um convênio milionário com hospitais públicos de Campos, coincidentemente durante a interinidade de Bacellar como governador. Wladimir não hesitou em criticar a decisão, chamando Bacellar de “covarde” em um vídeo nas redes sociais. Em resposta, Bacellar negou as acusações e defendeu que o orçamento da saúde de Campos é um dos maiores do país.
A tensão aumentou ainda mais com a exoneração do secretário estadual de Transportes, Washington Reis, por Bacellar, que tomou a decisão sem o aval do governador Cláudio Castro. Isso provocou a ira de Bolsonaro, que anunciou que não apoiará mais os dois em 2026, evidenciando o desgaste da aliança entre eles.
Com a saúde pública da cidade em jogo, Wladimir recorreu à Justiça para reverter a suspensão dos repasses. Na última quinta-feira, o Tribunal de Justiça do Rio determinou o restabelecimento dos valores, uma decisão que, segundo aliados, deve ser acatada por Castro. Esse movimento é visto como uma possível revanche de Castro contra Bacellar, evidenciando a fragilidade da aliança política no estado e a sorte de Campos em meio a esse cenário conturbado.
